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HISTÓRIA DE SUCESSO DE FARMÁCIA DE MANIPULAÇÃO VETERINÁRIA

HISTÓRIA DE SUCESSO DE FARMÁCIA DE MANIPULAÇÃO VETERINÁRIA
25 de Abril de 2018 Regis Luiz

Foram os cuidados com o agitado Pancho, seu cachorro, na época, que levaram a farmacêutica paranaense Sandra Schuster a preparar medicamentos em forma de biscoitos sabor picanha, salmão, chocolate e framboesa – e criar uma farmácia de manipulação exclusiva para o segmento veterinário.

Nascia aí a Drogavet, que opera hoje 38 unidades franqueadas no país, e atende não só cães e gatos, mas também peixes, roedores, cavalos, animais de zoológico e até tartarugas marinhas e pinguins.

Por volta de 2002, a recém-formada Sandra decidiu que não atuaria na indústria farmacêutica, mas na área de manipulação. Com pouco dinheiro na época, virou sócia de uma farmácia com três colegas “muito mais experientes no ramo”, conforme diz, para se especializar.

Quando saiu da sociedade, passou a trabalhar em eventos do ramo farmacêutico. Mas o gosto por desenvolver fórmulas e manipular medicamentos continuava. Surgiu a chance de estágio numa consultoria americana, e a palestra de um veterinário local deu o empurrão que faltava.

“Pensei: ‘é o que eu amo fazer, mas se eu fizer manipulação humana, serei só mais uma’”, conta Sandra. Foi quando decidiu enveredar pela manipulação de medicamentos para pets. “Me chamaram até de louca na época, mas fomos em frente”, afirma.

A farmacêutica e o então namorado, o advogado Flavio Pigatto Monteiro, hoje seu marido, estudaram o mercado, que ainda era incipiente. Foram tentar crédito em bancos e, levaram diversos nãos.

Mas não desistiram e, para levantar dinheiro, venderam “o que tinham e o que não tinham” – um apartamento financiado e um jipe de trilha, conforme lembra – e colocaram na empresa.

Como todo negócio pioneiro, a empresa começou dando passos pequenos: os sócios distribuíam amostras dos preparados como cortesia para os veterinários, e levavam até o seu cocker spaniel para demonstrar a “qualidade dos manipulados Drogavet”, segundo Sandra.

“Mostrando o nosso próprio cachorro, conquistamos a confiança dos veterinários e fizemos com que colocassem a manipulação como parte importante do tratamento”, afirma.

De acordo com a Anfarmag (Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais), hoje há 7,5 mil farmácias de manipulação em todo ao país.

Todas podem manipular medicamentos para pets, desde que peçam autorização ao MAPA (Ministério da Pecuária, Agricultura e Abastecimento).Desse total, 175 farmácias do ramo atuam também no segmento pet e animal, segundo o órgão.

Mas foi o modelo desenvolvido pela farmacêutica que ajudou a deslanchá-lo –tanto que, em 2005, Sandra e Flavio foram procurados por fiscais do MAPA para auxiliar a elaborar a legislação para produtos de uso veterinário.

Ao mesmo tempo, outros farmacêuticos começaram a ouvir falar da Drogavet, e se mostravam interessados em implantar o modelo.

Com o interesse crescente, os sócios pensaram se seria melhor passar só o know-how ou levar o nome da empresa para frente.

“Foi quando surgiu a ideia da franquia, em 2007.” Na sequência, conseguiram abrir unidades em Londrina (PR) e na Av.Pacaembu, na capital paulista.

                                                                                                                                     SANDRA

Hoje, além das 38 lojas no Brasil, sendo que sete estão no Estado de São Paulo, há outras sete em implantação, que devem abrir até o início do segundo semestre.

“Nossa meta é fechar o ano com 50 unidades”, afirma Sandra, que não revela valores mas diz que, mesmo com a crise, a rede tem crescido 10%, em média, por ano.

A ideia, agora, é aumentar ainda mais o crescimento da rede através de formatos menores – principalmente com os franqueados já existentes, pois alguns têm mais de uma unidade.

O próximo passo promete ser largo, já que a Drogavet pretende partir para a internacionalização. Para isso, os sócios têm se consultado até o empresário Miguel Krigsner, o fundador de O Boticário.

“Não é um plano imediato, mas está em nosso radar e queremos fazer com muita cautela.”

Dez anos depois de entrarem no franchising, Sandra conta que aprenderam com os erros: como não entendiam do setor, no início, contrataram uma consultoria do tipo “barato que sai caro”, e pecaram por falta de informação nos contratos e na escolha dos franqueados.

Hoje, para adquirir uma franquia Drogavet, o interessado desembolsa R$ 350 mil. Mas a seleção é mais exigente: pelo menos um dos sócios deve ser farmacêutico ou veterinário.

“Percebemos que quem é da área sabe levar melhor o negócio”, diz. “Não que o investidor não possa, mas ter um dos sócios que entende de manipulação ou faz a prescrição é fundamental.”

A explicação é simples: além de esse tipo de farmácia ser uma mini-indústria, com processos de desenvolvimento, produção e atendimento, é um negócio da área da saúde, lembra Sandra.

Sem contar que as questões que envolvem o animalzinho são muito sensíveis para o proprietário, e o franqueado tem de saber lidar com isso também.

“Volta e meia fazemos medicamentos para pets em fase final, e alguns acabam não aguentando”, conta. Nesses casos, a rede orienta a doação do remédio que sobrou ou nem foi usado para ONGs, para ajudar outros animais que precisem, segundo Sandra.

Além do rígido controle de qualidade, dos insumos ao processo de pesquisa e desenvolvimento e produção, a Drogavet, que só no último ano investiu cerca de R$ 1 milhão em inovação, é parceira de universidades, como a Unip e a Federal do Paraná, que fazem estudos científicos com os manipulados da marca para provar que eles realmente funcionam, segundo Sandra.

Nas franquias Drogavet, que participou até de programas de mentoria da Endeavor, cada unidade está equipada com seu próprio laboratório. No total, há mais de 100 profissionais da área envolvidos, sendo que 10 farmacêuticos e técnicos de laboratório estão só na unidade-piloto, em Curitiba (PR) .

“Essa é a vantagem de ser uma rede: há muita riqueza de informações, e o desenvolvimento de produtos surge dessa troca”, acredita.

Perguntada sobre o seu papel nisso tudo hoje, Sandra conta que nem se intromete mais na operação “senão eu mais atrapalho que ajudo”, diz, entre risos. “Então, vou em busca de inovação constante, pois esse é o nosso diferencial”, finaliza.

 

Fonte: Karina Lignelli Diário do Comércio